alt
O Jornal que Registra a Informação pra Você!

Políticas de atenção à mulher ganham efetividade em Curitiba


00187207Um dos primeiros compromissos cumpridos pelo prefeito Gustavo Fruet ao assumir o cargo foi a criação da Secretaria Municipal da Mulher.

Mais do que uma nova pasta, a medida simbolizou a disposição de dar efetividade às políticas públicas voltadas para as mulheres. Ao fim de quatro anos, as ações intersetoriais garantiram avanços importantes, que vão do enfrentamento à violência ao estímulo ao empreendedorismo, passando pela atenção à saúde e outras áreas.

A Secretaria Municipal da Mulher foi criada com a missão de articular, promover e avaliar políticas públicas para as mulheres de Curitiba e proporcionar o exercício de seus direitos. Uma das tarefas cumpridas pela pasta foi a articular a criação da Rede de Atenção às Mulheres em Situação de Violência, que trata do atendimento especializado e humanizado às mulheres que sofrem violência. A atuação em rede permite que estratégias de enfrentamento sejam divulgadas de forma abrangente e com maior capilaridade, potencializadas e multiplicadas pelo grupo, proporcionando resultados efetivos. Curitiba deixou o 4º lugar do ranking de capitais com maior índice de assassinados de mulheres em 2012. Em 2015, a cidade ficou com a 18ª colocação, de acordo com o Ipea.

Outros avanços

A violência contra as mulheres, que antes era um problema exclusivo da segurança pública, passou a ser considerada como um problema de saúde pública. A Prefeitura inaugurou a Casa da Mulher Brasileira - a segunda do modelo em todo o país -, um espaço compartilhado com diversos órgãos públicos no atendimento integrado às mulheres em situação de violência. O local concentra, em um único endereço na cidade, os serviços de psicólogos e assistentes sociais da Prefeitura de Curitiba, núcleos especializados da Defensoria Pública, do Juizado da Violência Doméstica e Familiar e do Ministério Público além da unidade da Patrulha Maria da Penha e Central de Transporte.

A Casa de Passagem Feminina é um outro espaço de acolhimento e foi a primeira unidade no Brasil de atendimento de pessoas em situação de rua exclusiva às mulheres e a quem se identifica com o gênero feminino. Na casa, as usuárias podem fazer higiene pessoal, se alimentar e passar a noite.

A atual gestão também ampliou e melhorou o atendimento na Maternidade Bairro Novo com a inserção do enfermeiro obstetra, doula voluntária, plano de parto, consulta da 37ª semana e a presença do acompanhante durante todo o processo. Com o parto humanizado, a Maternidade virou referência no Brasil.

Os avanços na atenção à saúde da mulher estão em indicadores importantes do Sistema Único de Saúde (SUS) Curitiba. A intensificação dos cuidados às gestantes soropositivas em Curitiba, por exemplo, nos últimos quatro anos, por meio das ações do Programa Mãe Curitibana/Rede Cegonha articulados com toda a rede de saúde, refletiu diretamente na redução da taxa de infecção de bebês recém-nascidos portadores do vírus HIV.

A taxa de infecção caiu de 4,8 em 2012 para 1,3 em 2015, a menor da última década, com o registro de apenas dois bebês soropositivos desde 2013. “Por ano, temos registrado uma média de 90 grávidas soropositivas. O problema é que boa parte delas não sabia disso e toma conhecimento somente durante o pré-natal”, comenta o médico Wagner Barbosa Dias, coordenador do Programa Mãe Curitibana/Rede Cegonha.

Hoje, gestantes de alto e baixo risco recebem mais atenção, com maior número de consultas durante a gravidez. As de baixo risco chegam a 7,42 consulta/gestante, marca que era de 6,44 em 2012. Nos casos de gestantes de alto risco, além do acompanhamento na unidade básica de referência, a futura mãe também realiza consultas periódicas no hospital onde será realizado o parto e o número de consultas pré-natais pode até dobrar, dependendo da condição de saúde da paciente.

O melhor resultado do conjunto de ações na saúde da mulher foi a redução das taxas de mortalidade infantil e materna, dois indicadores-chaves da qualidade de sistemas de saúde no mundo todo. Entre as crianças, o número de óbitos caiu de 9,5/1.000 nascidos vivos em 2012 para 8,9 em 2015. Em 2014, este índice atingiu a menor taxa já registrada em Curitiba, 7,7.

A prevenção tem sido o foco de muitos programas da saúde da mulher, como a intensificação das orientações sobre o câncer de mama. A mobilização incluiu distribuição de material informativo, rodas de conversas e atividades físicas e culturais em ações das secretarias municipais nas 10 subprefeituras. Em média, 2,7 mil mulheres realizam a mamografia no SUS Curitiba. Por ano, são 86,4 mil exames.

Independência

O estímulo à independência financeira é uma das missões da Agência Curitiba de Desenvolvimento. Nesse aspecto, o empreendedorismo feminino é fundamental para romper ciclos de violência e empoderar a mulher na sociedade. Desde 2013 até este ano, metade das 7.230 pessoas capacitadas pela Agência Curitiba foi de mulheres (3.983). Assim, o poder público deu apoio a micro investidora, com atendimento para formalização das atividades, capacitação para os negócios e reconhecimento do investimento, como o Prêmio Empreendedora Curitiba, realizado em 2015, com 129 inscrições. Nove empreendedoras foram reconhecidas e tiveram suas histórias apresentadas para mais de 300 investidores.

Curitiba também mandou recados importantes ao restante do país ao investir em campanhas de valorização da mulher, de combate à violência e denúncias de agressores. O Programa Busão Sem Abuso foi implantado pela Prefeitura de Curitiba em novembro de 2014 numa parceria com a Secretaria da Mulher, Guarda Municipal, Urbanização de Curitiba – Urbs, com o Tribunal de Justiça do Paraná e com os sindicatos patronal (Setransp) e dos motoristas e cobradores de Curitiba e Região (Sindimoc). Motoristas, cobradores, funcionários da Urbs e guardas municipais foram treinados para saber como atuar em flagrantes de abusadores dentro dos coletivos.

Desde 2014, foram 32 flagrantes e 169 ocorrências registrados pela Guarda Municipal por atos libidinosos, obscenos e assédio sexual no transporte coletivo de Curitiba.

A ação “As mulheres incompartilháveis”; iniciativa das secretarias municipais da Mulher e da Comunicação Social, apostou em uma ferramenta publicitária para estimular a mudança de comportamento e barrar o avanço da chamada pornografia da vingança no compartilhamento de fotos íntimas de mulheres na internet. Com o slogan “Se não é pra você, é melhor nem ver”, a campanha nas mídias sociais alerta que, além do autor das imagens, pessoas que compartilham essas peças também podem ser responsabilizadas pela prática da pornografia de vingança.

(Foto: Divulgação)

Comente esta notícia